A pergunta quantas ovelhas por hectare não tem um número único, porque a resposta depende de quanto alimento a área produz. Na caatinga nativa, cada ovelha precisa de mais de um hectare por ano; em pasto irrigado e bem manejado, um hectare pode receber dezenas de animais durante a terminação. Neste texto, reunimos os números de pesquisas da Embrapa Caprinos e Ovinos para cada tipo de pastagem e explicamos como calcular a lotação da sua área sem sobrecarregar o pasto.
Quantas ovelhas por hectare: a resposta depende do pasto
O conceito por trás da pergunta é a taxa de lotação: quantos animais uma área consegue sustentar por um período sem degradar a pastagem. Ela muda conforme a quantidade e a qualidade da forragem, o clima, a época do ano e o manejo. Por isso, a mesma propriedade pode comportar muito mais ovelhas no período das chuvas do que na seca.
Os números abaixo vêm do documento Alimentos e Alimentação de Ovinos e Caprinos no Semi-Árido Brasileiro, publicado pela Embrapa Caprinos em 2007, que reúne resultados de diversas pesquisas.
Na caatinga nativa
Na vegetação nativa do semiárido, a oferta de forragem é baixa. Segundo o documento da Embrapa, a área necessária para manter um ovino ou caprino durante um ano na caatinga nativa é de 1,3 a 1,5 hectare. A explicação está na produção da vegetação: a caatinga produz cerca de 4 toneladas de matéria seca por hectare por ano, mas só 10% disso é considerado forragem; o restante não é palatável ou tem baixo valor nutritivo.
Em outras palavras, na caatinga nativa a conta se inverte: em vez de quantas ovelhas por hectare, a pergunta passa a ser quantos hectares por ovelha.
Na caatinga enriquecida
O enriquecimento da caatinga, com raleamento de parte da vegetação e introdução de plantas forrageiras, muda bastante esse número. Segundo a Embrapa, áreas de caatinga enriquecida permitem a lotação de seis ovinos em 1,5 hectare, enquanto na caatinga nativa seriam necessários 10 hectares para a mesma quantidade de animais.
É um exemplo de como o manejo da área, e não só o tamanho dela, define a capacidade de criação.
Em pastagem cultivada e irrigada
Nas pastagens cultivadas com gramíneas irrigadas, usadas para a terminação de cordeiros no semiárido, a lotação é muito maior. O documento da Embrapa cita:
- taxas de lotação de 40 a 60 ovinos por hectare por período na terminação em pasto irrigado, com ganho de peso diário de 60 a 159 gramas por animal;
- um experimento da Embrapa Caprinos com pastagem irrigada de capim-gramão que permitiu a lotação de 60 ovinos por hectare e a terminação de quatro lotes de animais por ano.
Sem irrigação, de acordo com a mesma fonte, essas pastagens só podem ser usadas na época chuvosa. Esses números valem para sistemas intensivos, com pasto bem adubado e manejo em piquetes, e não devem ser aplicados a pastos comuns sem esse investimento.
Em bancos de forragem na seca
Para o período seco, a Embrapa cita o uso de leucena, uma leguminosa forrageira, em sistema de pastejo rotativo. Nesse caso, recomenda-se lotação de 10 a 15 ovinos ou caprinos adultos por hectare, com ocupação de 15 a 20 dias e período de descanso de 84 dias. O pastejo direto deve ser limitado a duas horas por dia.
Como calcular a lotação da sua área
Como cada pasto é diferente, o mais seguro é calcular a partir da forragem disponível. Segundo o livro 500 Perguntas, 500 Respostas: Ovinos, da Embrapa, o cálculo parte de duas informações:
- Disponibilidade de forragem da área, em quilos de matéria seca por hectare, estimada por amostragem do pasto.
- Consumo dos animais: um ovino adulto consome o equivalente a 3% do seu peso vivo em matéria seca por dia.
Uma ovelha de 50 kg, por exemplo, consome cerca de 1,5 kg de matéria seca por dia. Multiplicando o consumo diário pelo número de dias de pastejo e comparando com a forragem disponível, chega-se ao número de animais que a área suporta. Na prática, nem toda a forragem é aproveitada, porque parte é pisoteada e parte precisa ficar para o pasto rebrotar, por isso o técnico ajusta o resultado para baixo.
Esse cálculo é a forma mais confiável de responder quantas ovelhas por hectare a sua área comporta, porque usa a forragem que existe de fato na propriedade, e não uma média de outra região. Vale refazer a conta a cada estação, já que a produção do pasto cai bastante na seca.
Sinais de que há ovelhas demais no pasto
- pasto rapado, com solo exposto e touceiras baixas demais;
- animais perdendo peso ou com ganho abaixo do esperado;
- aumento de verminose, porque os animais pastejam mais perto do solo, onde estão as larvas;
- demora do pasto para rebrotar depois do pastejo.
Quando esses sinais aparecem, a saída é reduzir o número de animais, dividir a área em piquetes com descanso ou oferecer alimentação suplementar.
Ovelhas e gado: comparação
Quem já cria bovinos costuma comparar as duas criações. A lógica é a mesma, mas os números mudam com o peso e o consumo de cada espécie. Veja a conta para bovinos em quantas cabeças de gado por hectare e entenda o manejo em piquetes em o que é pastejo rotacionado.
Em resumo, quantas ovelhas por hectare cabem na sua área depende do pasto: de 1,3 a 1,5 hectare por animal na caatinga nativa a 60 ovinos por hectare em pasto irrigado para terminação. O cálculo pela forragem disponível e o acompanhamento de um técnico evitam a superlotação.
Perguntas frequentes
Quantas ovelhas por hectare cabem em pasto comum?
Depende da forragem disponível. O cálculo parte da matéria seca do pasto e do consumo de 3% do peso vivo por dia de cada ovino adulto, segundo a Embrapa.
Quantas ovelhas cabem na caatinga?
Na caatinga nativa, cada ovino precisa de 1,3 a 1,5 hectare por ano. Na caatinga enriquecida, é possível manter seis ovinos em 1,5 hectare.
Qual a lotação em pasto irrigado?
Pesquisas citadas pela Embrapa registram de 40 a 60 ovinos por hectare por período na terminação em pasto irrigado.
Quanto uma ovelha come por dia?
Um ovino adulto consome cerca de 3% do peso vivo em matéria seca por dia. Uma ovelha de 50 kg come em torno de 1,5 kg.
Como saber se o pasto está superlotado?
Pasto rapado, solo exposto, animais perdendo peso, mais verminose e rebrota lenta são os principais sinais.
