Quem pergunta qual o melhor adubo para maracujá geralmente espera um nome de produto, mas a resposta começa antes: no solo. O maracujá-azedo (Passiflora edulis) produz bem quando a acidez do solo está corrigida e recebe matéria orgânica desde o plantio, com reforços periódicos durante o ciclo. Neste texto, explicamos o que a Embrapa recomenda para cada fase, do preparo da cova à produção, e quando faz sentido usar adubo químico.
Qual o melhor adubo para maracujá: a resposta curta
Não existe um único adubo ideal para todas as situações. O que funciona é uma combinação:
- Correção do solo com calcário, definida pela análise de solo.
- Adubo orgânico, como esterco bovino ou de galinha bem curtido, no plantio e nas adubações seguintes.
- Fósforo, nitrogênio e potássio em quantidades definidas pela análise de solo e pela idade das plantas.
A orientação de usar fontes orgânicas vem do guia Os 10 passos para produzir maracujá azedo orgânico, publicado pela Embrapa Mandioca e Fruticultura em 2015. Quem cultiva no sistema convencional também pode usar adubos minerais, desde que a dose venha da análise de solo e da recomendação de um técnico.
Primeiro passo: análise e correção do solo
Segundo a Embrapa, a coleta de solo para análise química deve ser feita de 60 a 90 dias antes do plantio. A análise serve para duas coisas: definir a quantidade de corretivo e a adubação de plantio.
O objetivo da correção é elevar a saturação por bases (V%) para 70%. A faixa ideal de pH do solo para o maracujá fica entre 5,5 e 6,5. A Embrapa recomenda dividir o corretivo em duas partes: metade aplicada antes da aração e a outra metade depois dela, seguida da gradagem.
Essa etapa costuma ser a mais negligenciada em hortas e pomares domésticos, mas sem ela o adubo aplicado depois é mal aproveitado pelas raízes.
Adubação de plantio na cova
As covas recomendadas pela Embrapa têm 40 cm de largura, 40 cm de comprimento e 40 cm de profundidade, ou sulcos com pelo menos 30 cm de profundidade. Para a adubação de plantio, o guia indica, por cova:
- 10 a 20 litros de esterco bovino curtido ou 2 a 5 litros de esterco de galinha curtido;
- 500 gramas de gesso agrícola;
- 50 gramas de micronutrientes (FTE BR 12);
- fósforo na forma de fosfato natural, na quantidade indicada pela análise de solo.
Os adubos devem ser misturados ao solo da superfície da cova. Depois, a Embrapa recomenda deixar a cova em repouso por 20 a 30 dias, para o adubo reagir com o solo, e só então plantar a muda.
Adubação de formação e de produção
Depois do plantio, o maracujá precisa de reforços regulares. Para plantios irrigados, o guia da Embrapa recomenda aplicar nitrogênio, potássio e fósforo por meio de fontes orgânicas, como estercos, tortas vegetais e bokashi, a cada 60 dias após o plantio.
As quantidades variam de 2 a 20 litros por planta, conforme a fonte do adubo, a idade da planta e o espaçamento. Plantas jovens recebem menos; plantas em produção, mais. Em plantios sem irrigação, a Embrapa orienta fazer a adubação no período de maior umidade do solo, para que os nutrientes sejam absorvidos.
Como aplicar o adubo no maracujazeiro
A forma de aplicar faz diferença no resultado. Segundo a Embrapa:
- aplique o adubo ao redor da planta, a cerca de 20 cm da base do caule, e não encostado nele;
- cubra a área adubada com uma camada de cobertura morta, como palha ou restos de roçada;
- mantenha o coroamento, ou seja, a área ao redor da planta limpa de mato, com a cobertura morta afastada pelo menos 20 cm do caule.
A cobertura morta ajuda a manter a umidade e protege a matéria orgânica do sol. Manter o adubo e a palha longe do caule reduz o risco de apodrecimento do colo da planta.
Adubo para maracujá em vaso ou no quintal
Em vasos e pequenos quintais, a lógica é a mesma, em escala menor. Um substrato com terra e esterco curtido, renovado com adubo orgânico a cada dois meses, atende bem a planta. Como o volume de terra é menor, o vaso esgota os nutrientes mais rápido e precisa de reposição regular. Veja os cuidados específicos em como cultivar maracujá em vaso e, para quem usa muro ou cerca como suporte, em como plantar maracujá no muro.
Qual o melhor adubo para maracujá em cada fase
Para facilitar, este é o resumo do que muda ao longo do cultivo, segundo o guia da Embrapa:
- Antes do plantio: calcário para corrigir o solo, conforme a análise, de 60 a 90 dias antes.
- No plantio: esterco curtido, gesso, micronutrientes e fosfato natural na cova, com repouso de 20 a 30 dias.
- Na formação e na produção: adubo orgânico a cada 60 dias, em quantidade crescente com a idade da planta.
Saber qual o melhor adubo para maracujá em cada fase evita os dois extremos: a planta com fome no início da produção e o desperdício de adubo antes de ela conseguir aproveitar.
Erros comuns na adubação do maracujá
- Usar esterco fresco: ele pode queimar as raízes e trazer sementes de plantas daninhas. Use sempre esterco curtido.
- Adubar sem análise de solo: sem ela, a dose é um palpite e pode faltar ou sobrar nutriente.
- Concentrar o adubo junto ao caule: aumenta o risco de doenças no colo da planta.
- Adubar o solo seco no sequeiro: sem umidade, a planta aproveita pouco o adubo.
Em resumo, qual o melhor adubo para maracujá depende do seu solo, mas a base recomendada pela Embrapa é clara: corrigir a acidez, usar esterco curtido no plantio e repetir a adubação orgânica a cada 60 dias. Para comparar com outra frutífera, veja qual o melhor adubo para pitanga.
Perguntas frequentes
Qual o melhor adubo para maracujá?
Não há um produto único. A Embrapa recomenda corrigir o solo pela análise, usar esterco curtido no plantio e repetir a adubação orgânica a cada 60 dias.
Quanto esterco colocar na cova do maracujá?
Segundo a Embrapa, de 10 a 20 litros de esterco bovino curtido ou de 2 a 5 litros de esterco de galinha curtido por cova.
De quanto em quanto tempo adubar o maracujá?
Em plantio irrigado, a cada 60 dias após o plantio. No sequeiro, no período de maior umidade do solo.
Qual o pH ideal para o maracujá?
Entre 5,5 e 6,5, de acordo com a Embrapa.
Posso usar adubo químico no maracujá?
Sim, no cultivo convencional, desde que a dose seja definida pela análise de solo e pela recomendação de um técnico ou agrônomo.
